CPMI do INSS rejeita parecer do relator após mais de 15 horas de sessão e termina sem responsabilizações formais
A CPMI do INSS foi encerrada na madrugada deste sábado (28) após rejeição do relatório final. Sem consenso, comissão termina sem indiciar investigados e sem documento oficial.
A CPMI do INSS foi encerrada na madrugada deste sábado (28) sem a aprovação de um relatório final, após o colegiado rejeitar o parecer apresentado pelo relator, deputado Alfredo Gaspar (PL-AL). Com a decisão, a CPMI do INSS termina seus trabalhos sem indiciamentos e sem conclusões oficiais sobre as investigações.
A votação do relatório na CPMI do INSS terminou com 19 votos contrários e 12 favoráveis, consolidando a derrota do parecer e evidenciando o impasse político entre base governista e oposição.
Sessão marcada por tensão e impasse
A sessão decisiva da CPMI do INSS começou às 9h de sexta-feira (27) e se estendeu por mais de 15 horas. O longo encontro foi marcado por discussões acaloradas, trocas de acusações e bate-bocas entre parlamentares.
Após a rejeição do relatório principal, integrantes da base do governo ainda tentaram apresentar um texto alternativo. No entanto, o presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), optou por não indicar um novo relator, encerrando oficialmente os trabalhos da CPMI do INSS sem nova votação.
Com isso, a comissão — que funcionou por cerca de oito meses — chega ao fim sem efeitos práticos e sem responsabilizações formais.

Relatório rejeitado previa mais de 200 indiciamentos
O relatório da CPMI do INSS elaborado por Alfredo Gaspar tinha mais de 4 mil páginas e previa o indiciamento de 216 pessoas. O documento apontava um suposto esquema de descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas.
Entre os citados estava Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. Segundo o relatório, ele teria recebido cerca de R$ 25 milhões, além de valores mensais aproximados de R$ 300 mil, de um empresário investigado.
O parecer também incluía nomes de empresários, ex-dirigentes do INSS, ex-ministros e parlamentares.
Base governista tentou relatório alternativo
Parlamentares aliados ao governo apresentaram uma proposta alternativa na CPMI do INSS, sugerindo o indiciamento de 130 pessoas, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro.
De acordo com esse documento, o ex-presidente poderia responder por crimes como organização criminosa e improbidade administrativa. Já o senador seria investigado por suposta participação em organização criminosa.
Apesar da tentativa, o relatório alternativo não foi votado, encerrando a CPMI do INSS sem qualquer documento aprovado.
Conclusão e possíveis desdobramentos
Com o encerramento sem relatório final, a CPMI do INSS termina sem apresentar conclusões formais ou encaminhamentos ao Ministério Público. Especialistas avaliam que as investigações podem continuar de forma isolada em outros órgãos de controle.
O desfecho sem consenso reforça o cenário de polarização política e pode gerar novos desdobramentos no Congresso Nacional e em investigações paralelas.
