Mãe da vítima e madrinha do filho do ex-jogador pedem investigação sobre viagens e cobram atuação mais rigorosa da Justiça após descumprimento de regras do regime condicional.
Caso Eliza Samúdio: pontos principais
- Ex-goleiro Bruno foi condenado a mais de 22 anos de prisão
- Crime envolve feminicídio, sequestro, cárcere privado e ocultação de cadáver
- Corpo de Eliza Samúdio nunca foi localizado
- Justiça expediu mandado de prisão em março
- Familiares da vítima cobram investigação e cumprimento da pena
Carta aberta denuncia sensação de impunidade
A mãe de Eliza Samúdio, Sônia Fátima Moura, e a madrinha de Bruninho, Maria do Carmo dos Santos, divulgaram uma carta aberta cobrando providências das autoridades em relação ao ex-goleiro Bruno Fernandes das Dores de Souza.
Condenado pelo assassinato de Eliza, o ex-jogador é considerado foragido da Justiça após o descumprimento de condições impostas pelo regime de liberdade condicional. No documento divulgado nesta terça-feira (17), as duas afirmam viver um cenário de dor e revolta diante do que classificam como falhas no cumprimento da pena.
Elas pedem que a Vara de Execuções Penais do Rio de Janeiro investigue possíveis irregularidades, incluindo viagens realizadas pelo ex-goleiro nos últimos anos.
Família aponta falhas no cumprimento da pena
Na carta, as autoras afirmam que o sistema de Justiça teria falhado ao permitir que Bruno descumprisse obrigações legais sem uma resposta imediata das autoridades.
O ex-goleiro foi condenado em 2013 a mais de 20 anos de prisão por crimes relacionados ao assassinato de Eliza Samúdio, incluindo feminicídio, sequestro, cárcere privado e ocultação de cadáver.
Segundo o relato da família, desde 2023 ele não vinha sendo localizado para cumprir exigências do regime condicional, como informar endereço atualizado e comparecer regularmente para assinar documentos obrigatórios.
Mesmo diante dessas irregularidades, as familiares afirmam que não houve ações rápidas para garantir o cumprimento da pena.
Viagens sem autorização geram indignação
Outro ponto destacado na carta são as viagens realizadas pelo ex-jogador para diferentes estados brasileiros, como Espírito Santo, Minas Gerais e Acre.
De acordo com o documento, Bruno participou em fevereiro deste ano de uma partida de futebol pelo Vasco-AC, no Acre, sem autorização judicial. Pelas regras impostas pelo regime de liberdade condicional, ele não poderia deixar o estado do Rio de Janeiro.
Para a família da vítima, o episódio representa uma afronta à memória de Eliza e evidencia falhas na fiscalização do cumprimento da pena.
Caso segue sem localização do corpo
Outro aspecto lembrado pelas familiares é que, até hoje, o corpo de Eliza Samúdio nunca foi encontrado, o que impede a realização de um sepultamento.
No documento, elas afirmam que enquanto o ex-goleiro aparece em público e participa de eventos, a família da vítima continua lidando com um luto sem respostas.
As duas também criticam o fato de o ex-jogador ter negado a paternidade do filho por anos e alegam que ele não contribui financeiramente para a criação do menino há cerca de quatro anos.
Apelo por justiça e cumprimento da pena
Na carta, Sônia e Maria do Carmo fazem um apelo direto às autoridades do Judiciário, Executivo e Legislativo para que sejam adotadas medidas mais firmes no caso.
Entre os pedidos apresentados estão:
- investigação sobre viagens realizadas sem autorização judicial
- atuação mais rigorosa do Ministério Público
- cumprimento integral da pena determinada pela Justiça
- responsabilização por eventuais descumprimentos das regras do regime
Elas afirmam que o objetivo da mobilização não é vingança, mas sim garantir justiça e respeito à memória da vítima.
Ex-goleiro é considerado foragido
O Disque Denúncia divulgou um comunicado solicitando informações sobre o paradeiro de Bruno.
Segundo o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, um mandado de prisão foi expedido no dia 5 de março após a Vara de Execuções Penais constatar que o ex-goleiro teria descumprido condições da liberdade condicional.
De acordo com a decisão judicial, ele não se apresentou para retornar ao regime semiaberto, passando a ser considerado foragido.
O caso da morte de Eliza Samúdio, que teve grande repercussão nacional, continua marcado pela ausência de respostas sobre o paradeiro do corpo da vítima.